Bruce Springsteen
Bruce Springsteen no Rock in Rio 2013
Foto: Rodrigo Antonio / Veja
Em termos musicais, este sábado não foi exatamente um dos melhores dias na Cidade do Rock, verdade seja dita. Contudo, o fato é que nada foi capaz de tirar a empolgação dos milhares homens, mulheres (principalmente), crianças e idosos que compareceram ao penúltimo dia do festival, e, no final das contas, todo mundo se divertiu bastante.

Entre o que vale ser destacado está a apresentação de Ivo Meirelles, principalmente quando o mangueirense passou a dividir o palco com a eterna musa do Rock in Rio, Fernanda Abreu, e seu tradicional arsenal de hits altamente dançantes. Merecem registro também o talento de Elba Ramalho e a bateria da Estação primeira de Mangueira, que fizeram um mini carnaval da Barra da Tijuca. “Rio 40 Graus”, “Garota Sangue Bom”, “Eclipse Oculto” (cover de Caetano Veloso) e “Festa do Interior” levantaram o povo. O Hino Nacional em ritmo de batuque e a manifestação a favor de mascarados em protestos foram bolas fora.

Um dos melhores shows do dia foi a apresentação dos cascudos Pepeu Gomes & Moraes Moreira no Palco Sunset, que contou também com as presenças de Roberta Sá, Didi Gomes, Jorginho Gomes e Davi Moraes. Tudo em família para fazer uma bela e justa homenagem aos Novos Baianos, um dos grupos mais importantes da música nacional. “A Menina Dança”, “Mistério do Planeta”, “Preta Pretinha”, “Brasil Pandeiro”, “Dê Um Rolê”, “Bilhete Para Didi” e “Maracatu Atômico”, que integram verdadeiramente o patrimônio cultural brasileiro, foram os melhores momentos.

A banda mineira Skank fez o primeiro show no Palco Mundo, empolgando o público com uma tonelada de hits de FM e temas de telenovelas. “É Uma Partida de Futebol”, “É Proibido Fumar”, “Saideira”, “Jackie Tequila”,”Garota Nacional”, “Mas que Nada”, (cover de Jorge Ben Jor), “Vamos Fugir” (cover de Gilberto Gil) e “Vem pra Rua” (cover do Rappa) foram as que mais fizeram sucesso.

De volta ao Sunset para uma apresentação morna: o cantor e compositor Lenine, que surgiu como uma das novas promessas da MPB estacionou no tempo e, pelo andar da carruagem, nunca poderá ser comparado aos mestres Gil, Caetano, Milton, Chico, Alceu Valença, Tom Jobim nem, muito menos, a Vinicius de Moraes. Seu show não chega a desagradar, mas não acrescenta, não provoca e o aluno passa de ano raspando. “Tá relampeando (sic), cadê neném? Tá relampeando, cadê neném? Tá relampeando, cadê neném? Tá relampeando, cadê neném?…ad infinitum“. Aff!

Logo depois, foi a vez de Phillip Phillips subir ao palco principal. A vida imita arte…ou será o contrário? Quem sabe? A única certeza é que o showbiz – assim como a vida – é feito de erros e acertos. Assim, o bonitão vencedor do reality show “American Idol” saiu-se bem em alguns momentos, ao encarar pela primeira vez em sua curta carreira um público de 80 mil pessoas. “Where we Came From”, “Gone Gone Gone” e “Home” são canções bastante consistentes e até que o lourinho e sua banda não fizeram feio. Se acertou com algumas, o moço também errou, como quando tocou uma versão bem diferente (e desastrosa!) para o mega hit “Thriller”, de Michael Jackson, na qual, por sinal, só se salvou o bom solo de bateria.

O caipira e virtuoso John Mayer fez provavelmente o segundo show mais esperado da noite. E o garanhão começou empolgando o público feminino presente, que muitas vezes perdeu a linha com gritinhos histéricos. O time de tietes do guitarrista cantou em coro até mesmo a novísisma “Dear Marie”. Além dessa, também se destacaram: “Trust in Myself” (com um excelente solo no final), “Half of my Heart”, “Daughters”, Wildfire” e “Queen Of California”. Dono de inegável técnica instrumental e de uma boa voz, John peca pelo seu repertório meio brega e repleto de baladinhas, fato que dificilmente o projetará ao nível de Santana, Eric Clapton, Steve Ray Vaughan e outros guitar heroes. A inexplicável ausência do hit “Route 66” (cover de Nat King Cole), que seria perfeita para um show dessa magnitude, foi outra pisada feia no tomate.

Curiosamente, grande parte da plateia debandou após o show de Mayer e só quem ficou mesmo foram os fiéis e abnegados admiradores de Bruce Springsteen. O cantor, compositor e guitarrista conseguiu, em pouco menos 3 horas de show, elevar significativamente o nível e, para tanto contou com o apoio inestimável de sua E Street Band, formada só por feras. O sessentão Bruce salvou a noite e fez um show muito bom para os corajosos fãs que enfrentaram a maratona do sexto dia do Rock in Rio. “Sociedade Alternativa” (cover de Raul Seixas), “Born In The USA”, “Dancing in the Dark”, “Glory Days”, “Hungry Heart”, “Badlands”, “Waitin’ on a Sunny Day”,”Shackled and Drawn”, “The Rising” ,”Thunder Road”, “Born to Run”, “This Hard Land”, ” Death to My Hometown”, “Spirit in the Night”, “Land of Hope and Dream” e “Twist and Shout” foram as que mais empolgaram.

Bruce Springsteen

http://youtu.be/w1HpVjXWTUc

John Mayer

http://youtu.be/DoyJG-vLdZ4

Pepeu Gomes, Moraes Moreira & Roberta Sá

http://youtu.be/zWYf1AGYA90

Phillip Phillips

http://youtu.be/XKf3JflZV4I

Ivo Meirelles

http://youtu.be/f-FQBh7oj30

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