A gravidez é um momento único e de alegria na vida de um casal, mas pode ser também uma fase delicada do ponto de vista emocional, de constante angústia, ansiedade e insegurança. Neste caso, o apoio da família e amigos se torna essencial, mas este tipo de convívio e comprometimento reduziu bastante nos últimos anos, devido, principalmente, às mudanças da sociedade.

Antigamente, o suporte na hora do parto era feito por mulheres mais experientes como mães, irmãs mais velhas ou vizinhas – pessoas que já vivenciaram esta situação. Atualmente, o parto está sob responsabilidade da esfera médica e cada integrante da equipe especializada possui uma função, e sem total dedicação à futura mamãe. Mas afinal, neste cenário, quem se responsabiliza por cuidar do conforto e do emocional da gestante? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula.

Seu objetivo é dar total apoio a mãe e ao bebê, mas acaba sendo também um suporte ao acompanhante escolhido livremente, pela mulher grávida. Neste período, atua como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal, esclarecendo os termos técnicos de difícil entendimento e orientando sobre o que deve esperar antes, durante e após o parto.

Formada em doulagem pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa e personal organizer de quarto infantil, Janaína Gentili, destaca que o trabalho busca humanizar o parto e amenizar a indiferença do atendimento hospitalar.

“A assistência pode ser feita desde a organização do quarto infantil, da mala da maternidade, do plano de parto, até à amamentação. Na hora do parto, por exemplo, ajudamos na escolha de posições que possam reduzir as dores e aplicamos técnicas que aumentam a dilatação. Para evitar anestesias, as opções são exercícios, massagens relaxantes e banhos”, explica Janaína, que é advogada, especializada em Direito Cível, membro do IBDFAM e trabalha com mulheres usuárias do SUS, bem como as da rede privada na cidade do Rio de Janeiro. E, reforça: “Apesar de lidar diretamente com a grávida, a doula não realiza qualquer procedimento médico ou exames. Não substituímos qualquer equipe obstétrica”.

Cerca de três milhões de partos anuais são realizados no Brasil e mais de 50% com intervenção cirúrgica. Na rede privada, o número de cesárias chega a 84%, enquanto que na rede pública o percentual é menor, 40%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as taxas sejam de 10% a 15%. Em paralelo, pesquisas recentes apontam que a atuação da doula no parto pode reduzir em 50% as taxas de cesárea; 20% a duração do trabalho de parto; 60% os pedidos de anestesia; 40% o uso da ocitocina sintética (hormônio artificial que promove contrações); e 40% o uso instrumentos como o fórceps e o vácuo extrator.

A prática vai ao encontro das diretrizes do programa Humaniza SUS – Política Nacional de Humanização do Governo Federal. Recentemente, o Ministério da Saúde lançou uma lista de recomendações para humanizar o parto normal e reduzir as intervenções. Entre elas: permitir à mulher a posição que ela preferir durante o parto; presença de doulas e de acompanhante; e métodos de alívio para a dor, como massagens, banhos quentes e imersão na água.

“As recomendações do Ministério apenas reforçam a importância do trabalho das doulas no atual cenário do país e da liberdade de escolha das grávidas. Um parto saudável depende do bem estar das pessoas envolvidas”, conclui Janaína.

Newsletter Barrazine

Digite seu endereço de e-mail para receber notificações de novas publicações.

Sucesso!!!

Opa, algo errado...

Previous post

Pregador Luo faz show na Fnac BarraShopping

Next post

Banda da Floresta apresenta seu espetáculo no Recreio Shopping